
O que falar do carnaval em Fortaleza?
Nos anos anteriores eu o descrevia como “sem expressão, animação ou atração”, nada que sirva como mote para atrair turistas ou até mesmo incentivar os nativos a ficarem e aproveitarem o carnaval em “casa”.
Pois é, esse tempo se foi, esse ano o carnaval em Fortaleza tomou outras formas, criou novas atrações e saiu da mesmice que se encontrava há alguns anos…
Sem dinheiro para investir em atrações, a prefeitura teve que contar com os talentos da cidade. Alguns movimentos foram criados, como o “cortejo do bode”, uma das atrações que marcou este carnaval guiando uma multidão por um passeio na orla do aterrinho até a praça verde do Dragão do Mar.
Fiz parte do Cortejo do bode, vi de perto a evolução, em apenas um mês de atividades, e sem ajuda da mídia (jornal, rádio ou tv), apenas redes sociais, o cortejo ganhou corpo e admiração dos foliões. O mais interessante de tudo, o repertório estava totalmente fora dos padrões carnavalescos, sem clássicos de marchinhas, só o tradicional dixieland (jazz) misturado a batidas diferentes. O ritmo de maracatu do barco virado, funk, soul, frevo etc, eram algumas das ritmias que conduziam as melodias… Tantas misturas de ritmos e música que foi gerado uma metamorfose musical a céu aberto, me atrevo a chamar o cortejo de laboratório musical.
Este trabalho musical só pode ser realizado graças ao corpo de músicos que fizeram parte deste projeto, eram super talentosos, foram cruciais para a qualidade sonora/musical do cortejo. Os méritos são da big-band Assaré guiada por Ferreira Jr.
Mariana Lazari do O povo, escreveu na quarta-feira de cinzas uma matéria super bacana, intitulada “As mil e uma faces do Carnaval de Fortaleza”, concordo com ela sobre este ter sido o carnaval de todos, das mil faces, dos milhares de gostos, para os milhões de pessoas que ficaram, por opção ou não, curtir o carnaval em casa.
Encerro com as palavras de Lazari “O Carnaval de Fortaleza é feito cada um, por se refazer. Cantamos, no luto de um bloco que morreu, outras mil canções que nascem no chão da praça ou da praia. Somos muitos, muitos carnavais porque o Carnaval é a reinvenção de nós mesmos, de nossas liberdades censuradas. Pode ser, por exemplo, o amor embriagado beijando a amizade, ou o desejo encarnado, ou a última inocência. E é o espanto e a tolerância, a brincadeira e o respeito no mesmo espaço apertado”.